COMO COMBATER A POBREZA GLOBAL
O percentual da população
mundial que vive na pobreza caiu sensivelmente ao longo das
últimas décadas. Ainda assim, como a população global
total aumentou, o número absoluto de pobres permaneceu
inalterado em cerca de 1,2 bilhões, apesar de numerosas
iniciativas bilaterais e multilaterais de combate à
pobreza. A questão enfrentada pelos elaboradores políticos
é como fornecer assistência ao desenvolvimento de forma
que seja eficaz com relação ao custo e beneficie
diretamente os pobres.
Um tema comum para os
artigos apresentados nesta Publicação, "Como Combater
a Pobreza Global", é que a assistência externa ajudará
a reduzir a pobreza somente no contexto de políticas
apropriadas (mecanismos orientados para o mercado que
incentivem o investimento privado, boa governabilidade, comércio
liberalizado e investimentos em capital humano) nos países
que recebem auxílio. Por fim, os autores argumentam que a
redução da pobreza precisa ser orientada para o aumento da
produtividade, ganhos de rendimentos e maior crescimento
econômico.
Os países mais bem
sucedidos na redução da pobreza, escreve o secretário do
Tesouro dos EUA Paul O'Neill, são aqueles que adotaram
gerenciamento econômico apropriado, incentivaram o
investimento privado e o livre comércio e promoveram boa
governabilidade e o estado de Direito. O'Neill incentiva
concessões de doações maiores e mais dirigidas pelas
instituições financeiras internacionais; tema também
abordado pelo professor Adam Lerrick, da Universidade
Carnegie Mellon, que argumenta que uma mudança para doações
adicionais não esgotaria os recursos do Banco Mundial, como
acusam alguns críticos da idéia.
A segurança alimentar e a
redução da fome dependem, entre outras coisas, da definição
dos direitos de propriedade para pequenos fazendeiros,
tecnologia e fornecimento de redes de segurança social aos
mais vulneráveis às reformas econômicas, afirma a secretária
de Agricultura dos Estados Unidos, Ann Veneman. O economista
do Instituto Cato Ian Vásquez também destaca a questão de
direitos de propriedade, bem como a correlação entre
liberdade econômica e redução da pobreza.
O desenvolvimento da
participação do país em nova rodada global de negociações
comerciais que reduz as barreiras nas economias industriais
e emergentes apresenta tremendo potencial para a redução
dos custos de vida em países em desenvolvimento,
desencorajar a corrupção e conduzir à melhor qualidade de
vida para os pobres, escreve o subsecretário de Estado dos
Estados Unidos, Alan Larson. O diretor-gerente do FMI Horst
Köhler também considera o comércio fundamental para a
redução da pobreza e incentiva assistência técnica maior
e melhor coordenada pelo FMI, Banco Mundial e outros
doadores para apoiar as estratégias de redução da pobreza
na África.
Andrew Natsios,
administrador da Agência Norte-Americana para o
Desenvolvimento Internacional (USAID), descreve as
prioridades de redução da pobreza da sua agência para o
futuro: desenvolvimento agrícola, apoio à microiniciativa,
educação de mulheres e meninas e pesquisa e tratamento da
Aids e outras doenças.
A publicação também
inclui colaborações de John Sullivan, diretor executivo do
Centro para a Iniciativa Privada Internacional, sobre a
importância da boa governabilidade e transparência na
promoção do desenvolvimento; David Satterthwaite, do
Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o
Desenvolvimento, sobre por quê é importante compreender as
diferenças entre a pobreza rural e urbana; e da professora
Susan Martin, da Universidade de Georgetown, sobre como as
remessas de dinheiro dos trabalhadores estão apresentando
impacto positivo sobre o desenvolvimento de economias
nacionais.
A publicação conclui com
relações de indicadores de pobreza e remessas de dinheiro
dos trabalhadores em países selecionados, leituras
adicionais sobre a pobreza, contatos importantes e sites na
Internet, além de um gráfico que exibe onde e em quais
setores é gasto o auxílio ao desenvolvimento.
Esperamos que os pontos de
vista dos especialistas representados nesta edição de Perspectivas
Econômicas ajude a estimular discussões adicionais
sobre as estratégias de redução da pobreza global.
Revista eletrônica
do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Vol. 6, No. 3,
Setembro