Segurança
Alimentar: Doenças Veiculadas por alimentos
Infecção
x Intoxicação: Você sabe a Diferença ?
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O papel dos
alimentos na saúde humana é bem conhecido, mas o seu
envolvimento na transmissão de doenças é bem mais amplo
do que se imagina. As doenças de origem alimentar podem ser
reunidas em dois grupos: as infecções e as intoxicações:
• Toxi-infecções
de origem alimentar – São doenças causadas pela
ingestão de alimento contaminado por microrganismos patogênicos
que se multiplicam, podendo invadir a parede intestinal e
disseminar-se para outros órgãos, caracterizando uma infecção.
Ou pode haver uma intoxicação provocada por ingestão de
alimentos contendo toxinas microbianas pré-formadas.
•
Intoxicação por enterotoxina estafilocócica – É a
doença de origem alimentar mais comum e resulta da ingestão
de alimentos contaminados com a toxina produzida por
Staphylococcus aureus, que é extremamente resistente,
podendo subsistir a uma ebulição de até 4 horas. Os
manipuladores de alimentos são as fontes de contaminação
mais freqüentes, pois em cerca de 40% de pessoas sadias
essa bactéria é encontrada colonizando as mucosas da
nasofaringe, e existe também em feridas infectadas. O leite
de vaca mastítico é outra fonte importante de S. aureus.
É bom
lembrar que tortas, cremes, bolos, pudins, produtos de carne
bovina, aves, salgadinhos, queijos, saladas e maionese são
alimentos muito manipulados após o cozimento. A bactéria
é geralmente transmitida pelas mãos.
A origem da
intoxicação pode ser também a ausência de uma higienização
adequada dos equipamentos e utensílios. O uso de matérias-primas
contaminadas é também uma via de contaminação, como no
caso do leite mastítico. O período de incubação é de
duas a seis horas.
Os sintomas
típicos são náusea, vômito, dor de cabeça, dor
abdominal e diarréia. Dor muscular e prostração podem ser
observados em vários casos. Não existe tratamento específico,
sendo importante reidratar o paciente, quando necessário.
• Intoxicação
por neurotoxina botulínica – A palavra botulinum vem
do latim, botulus, que significa salsicha. A doença
chama-se botulismo porque os primeiros casos ocorreram com
pessoas que haviam se alimentado de salsichas (botulus)
contaminadas. Isso aconteceu na Bélgica, em 1896.
Quando a
bactéria anaeróbica Clostridium botulinum encontra condições
favoráveis de crescimento no alimento, ela produz uma
poderosa toxina (veneno) que, mesmo em quantidade pequena,
pode ter efeito letal. Trata-se de uma neurotoxina, pois
ataca o sistema nervoso com uma ação parecida com a
estriquinina e com o veneno da cascavel.
Os esporos
dessa bactéria sobrevivem ao cozimento, à defumação e à
salga, mas são sensíveis ao nitrito. O crescimento se dá
na forma vegetativa (não esporulada). O pH muito ácido
(abaixo de 4,3) inibe o crescimento do C. botulinum.
O período
de incubação da doença provocada varia de 24h ou menos, a
72h. Os primeiro sinais são cansaço, fadiga, dores de cabeça
e vertigens. A diarréia pode aparecer inicialmente, mas
depois o paciente permanece com constipação. Em seguida, o
sistema nervoso central começa a ser afetado e ocorrem distúrbios
de visão; a fala torna-se difícil, devido a paralisias nos
músculos da garganta.
A intoxicação
atinge seu ponto máximo entre quatro horas e oito dias, e a
morte ocorre geralmente pela paralisia dos músculos
respiratórios. Se, após oito dias, o paciente ainda
sobreviver, a recuperação é lenta.
Para que o
tratamento seja eficaz, o prognóstico pode ser melhorado
com aplicação de anti-soros específicos, o mais cedo possível,
no prazo de algumas horas após a ingestão dos alimentos
contaminados, quando a toxina ainda está presente no sangue
circulante.
A maior
causa de surtos de botulismo tem sido a ingestão de
alimentos conservados ou semi-conservados em latas, vidros
ou produtos curados, dos quais o oxigênio tenha sido
removido. Outros surtos descritos apontam a preservação
artesanal imperfeita e alimentos não ácidos, queijos,
peixes, cogumelos e palmitos enlatados.
• Toxinfecção
por Clostridium perfringens – O Clostridium
perfringens é uma bactéria largamente encontrada na
natureza. É comum no solo e em terrenos encharcados, e
ainda em vegetais. Produz uma toxina no intestino quando são
ingeridos alimentos contaminados pela bactéria em sua forma
vegetativa. Os produtos que contém carne bovina ou de aves,
geralmente com molhos mantidos em temperatura ambiente, são
os principais alimentos em que há proliferação dessa bactéria.
O período de incubação é de seis a 24 horas, com média
de 12h para o aparecimento dos sintomas, que duram pouco
tempo e são a diarréia, as dores abdominais e grande
quantidade de gases. A mortalidade é baixa e atinge
principalmente crianças e pessoas idosas ou debilitadas. Não
existe tratamento específico.
• Infecções
por Salmonella – Algumas espécies de salmonella podem
produzir dois tipos de doenças de origem alimentar. As
gastroenterites, caracterizadas por infecção no intestino,
e as febres entéricas, que são mais graves e conhecidas
como febres tifo, constituindo infecções generalizadas.
Na
gastroenterite, os principais alimentos propícios ao
crescimento da bactéria Salmonella são os produtos de
confeitaria, maionese, produtos de ovos e as carnes e
derivados. O período de incubação da doença é de 12 a
16h. Os sintomas típicos são dores abdominais, calafrios e
prostração, e o tratamento é feito à base de hidratação
e uso de antibióticos.
Já nos
casos de febre tifóide, verificamos que o leite, ou os
alimentos contaminados com dejetos de portadores humanos de
febre tifóide, além da água contaminada por esgoto são
as causas desse tipo de infecção. O período de incubação
pode durar de sete a 14 dias, sendo sintomas típicos a
febre alta, dor de cabeça e constipação intestinal. Pode
ser fatal. O tratamento é feito com hidratação e emprego
de antibióticos.
• Outras
doenças de origem microbiana – Os sintomas clássicos
das doenças de origem microbiana transmitidas por alimentos
são sinais próprios de distúrbios gastrointestinais
agudos, como diarréia ou vômito, ou ambos os sintomas,
associados a dores abdominais e desconforto. Entretanto, patógenos
enterais podem também causar doenças extraintestinais
agudas, como doenças respiratórias e renais, cujos
sintomas podem ocorrer simultaneamente ou independentemente
dos sintomas intestinais clássicos. Além disso, certos
microrganismos patogênicos veiculados por alimentos podem
contribuir para o aparecimento de doenças crônicas.
Outros
microrganismos também são importantes patógenos. Além de
bolores formadores de toxinas, vírus e protozoários,
outras bactérias veiculadas por alimentos podem provocar
doenças: Shigella; Campylobacter spp; E. coli (patogênicas);
Yersínia enterocolítica; Vibrio parahaemolyticus; Vibrio
cholerae; Aeromonas; Plesxiomonas shigelloides; Bacillus
cereus e Listeria monocytogenes.
Fonte:
Informativo da REDAT Alimentos - Rede de Apoio Tecnológico
às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais - Segurança
Alimentar - Edição n. 2 Coord. Editorial: Regina Lúcia
Tinôco Lopes. Fone: (31) 3489-2349
Microrganismos
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Os
microrganismos são os menores seres vivos da
natureza e só podem ser vistos com o auxílio de
microscópio. São encontrados na água, no solo,
nos vegetais, no corpo humano, nos animais e
dividem-se em três grandes grupos: as bactérias,
os vírus e os fungos. Ao grupo dos fungos pertencem
os bolores e as leveduras. Algumas bactérias têm a
capacidade de formar uma estrutura denominada
esporo, sendo muito resistentes a agentes físicos e
químicos como calor, frio, desinfetantes, etc.
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A
multiplicação das bactérias comuns em alimentos ocorre
por divisão direta da célula em duas células filhas,
iguais. Cada divisão constitui uma geração. Durante o
processo de divisão, a célula vai aumentando
gradativamente de tamanho até assumir o dobro do seu volume
anterior, quando as duas partes se separam. As bactérias
dividem-se a cada 20 minutos, em média, desde que as condições
sejam ideais. Esse tempo é conhecido como tempo de geração,
que normalmente é mais curto nas bactérias do que nos
fungos.
O
crescimento microbiano é, portanto, resultante do aumento
da população de células dos microrganismos.